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Sobre

Christiane Jatahy é autora, diretora de teatro e cineasta. Seus trabalhos desde 2003 dialogam com distintas áreas artísticas. Em teatro escreveu e dirigiu algumas peças que transitavam entre as fronteiras da realidade e da ficção, do ator e do personagem, do teatro e do audiovisual.  “Conjugado”, uma performance/vídeo-instalação, baseada em entrevistas sobre a solidão nos grandes centros urbano. A performance acontecia dentro de um cubo vista pelo público através de persianas, “A Falta que nos move ou Todas as histórias são ficção” sobre a geração criada no período da ditadura brasileira, “Corte Seco”, uma peça mosaico, montada com um filme ao vivo na presença do público, o teatro e a rua tinha câmeras de segurança e as imagens mostradas no palco.
Em cinema dirigiu o filme “ A Falta que nos move”. filmado em 13 horas contínuas, sem corte, por três câmeras na mão. O material foi editado e hoje é um longa metragem, além de ter sido exibido em três telas de cinema em uma galeria de arte durante 13 horas em uma performance cinematográfica que começou exatamente na mesma hora que começou a filmagem, 17.30 e acabou as 6.30 da manhã. Em 2011 estreou “Julia”, adaptação e direção da obra “Senhorita Julia” de August Strindberg. Por esse trabalho ganhou o Prêmio Shell de Melhor Direção em 2013. Em 2012 foi a diretora artística do projeto Rio Occupation London, residência com 30 artistas de diferentes áreas. Em 2013 desenvolveu o projeto de instalação audiovisual e documentário “Utopia.doc” em Paris, Frankfurt e São Paulo. Estreou em 2014 “E se elas fossem para Moscou?” a partir da obra “As três irmãs” de Anton Tchekhov, uma peça e um filme simultâneos mostrados em dois espaços diferentes.No teatro o filme é captado, editado e mixado enquanto é projetado no mesmo momento na sala de cinema. Ganhou em 2015 o Prêmio Shell, APRT e Questão de critica de melhor direção e melhor espetáculo.

 

Christiane é artista associada d’Odeon theatre de l’Europe  e do Le CentQuatre (Paris/FR) e realizará um projeto na Comedie Francaise (Paris/FR) com estreia em fevereiro de 2017.


Festivais internacionais entre 2013 / 2016; Kunstenfestivaldesarts, Wiener Festwochen, Zurcher Theater Spektakel, Temps d’Images -CentQuatre Paris, Holland Festival, Bienal de Veneza, Rotterdam de Keuze Festival, Noordezon Festival, Mousonturm, Hau Hebbel Berlin, La Bâtie – Festival de Genève, Festival Automne en Normandie, , Miadi Levi Slovenia, On the Boards – Seattle, Red Cats – Los Angeles, Temporada Alta Girona, Alkantara Festival Lisboa, Centro Dramático Nacional – Madrid, Thalia Theater – Hamburgo, Tempo Festival, Cena Contemporânea Brasília, Fiac Salvador, Porto Alegre em Cena, MIT São Paulo.


CIA

COMPANHIA VÉRTICE

Companhia  Vértice foi criada para dar seguimento e aprofundar a pesquisa de linguagem de um teatro que se articule com os procedimentos da contemporaneidade. Provocando o espectador e o artista participante a gerar novas abordagens e novos pontos de vista em relação a cena. A pesquisa de linguagem da Cia transita por algumas zonas de fronteira, tais como; a presença real (aqui e agora) do ator na cena e a referência ficcional do personagem, o real e o ficcional na dramaturgia se misturando e gerando uma terceira zona teatral, a indefinição proposital entre o território do ator e o do público, o diálogo com outras áreas artísticas e o uso de espaços não convencionais ou uso não convencional de espaços tradicionais. O que se pretende com essa pesquisa, é abrir frestas para que o espectador colabore com o que vê, saindo da passividade receptiva para uma atividade construtiva da cena, buscando devolver ao teatro seu caráter participativo e de reflexão.

SOBRE A PESQUISA

A pesquisa de linguagem começou em 2004 com a trilogia, Uma cadeira para a solidão, duas para o dialogo e três para a sociedade composta pelas peças; Conjugado, A Falta que nos move e Corte Seco. A pesquisa tem como objetivo principal  a experimentação a partir de algumas linhas de fronteira tais como; o ator e o personagem, a realidade e a ficção em cena e na matriz para a construção de dramaturgias em processos colaborativos, além de uma série de dispositivos para gerar tensões criativas e diferentes teias relacionais entre a cena e o público. No ano de 2009, o trabalho se expandiu para o cinema com o filme, A Falta que nos Move, filmado em 13 horas contínuas, sem corte, por três câmeras na mão. O material foi editado e hoje é um longa metragem que viajou para alguns festivais de cinema, e permaneceu 12 semanas em cartaz. O projeto também foi exibido em três telas de cinema, durante 13 horas em uma performance cinematográfica que começou exatamente na mesma hora que começou a filmagem, 17.30 e acabou as 6.30 da manhã.

A pesquisa de uma linguagem híbrida entre o teatro/performance e o cinema, está presente no próprio filme e também na peça Corte Seco. Corte Seco é uma peça editada ao vivo, com uma estrutura dramatúrgica que muda a cada dia. A peça acontece no palco e no entorno do teatro que é cercado por câmeras de segurança . Algumas cenas acontecem na rua e são vistas em cena pelo público.

Em 2011, com o espetáculo Julia, o trabalho incluiu a criação de uma dramaturgia cênica contemporânea a partir de um clássico. Na montagem de Julia, cinema e teatro convivem integralmente. Um filme é feito ao vivo a cada dia, misturando cenas pré-filmadas e cenas captadas na presença do público. O texto de Strindberg se mantém presente, atualizado pelo olhar da câmera e pela adaptação para os dias de hoje da trama criada no século XIX, trazendo para cena questões sociais e políticas sobre o Brasil atual.

Além dos dispositivos para a criação, todos os trabalhos da diretora tem como conteúdo principal a realidade do Brasil e um olhar questionador sobre a sociedade atual. A vida entra na cena através da pesquisa em campo para a criação do espetáculo e também da relação do trabalho com o momento presente, com o aqui e agora.

Os processos de pesquisa.

Conjugado, 2004, foram realizadas uma série de entrevistas filmadas com pessoas que viviam sozinhas na cidade do Rio de Janeiro. Esse material foi usado na  construção dramatúrgica da peça e se transformou em um documentário, exposto em uma vídeo instalação no final da peça.

A Falta que nos Move ou Todas as histórias são ficção, 2005/2009, peça baseada em material pessoal dos atores. Traçávamos um recorte da geração que hoje está em torno dos 35 anos e que viveu toda a sua infância e juventude no Brasil da ditadura. Essa questão política afetou a história pessoal de cada um dos atores/personagens. A peça é sobre um grupo de amigos e suas relações familiares. A peça era uma não peça, onde eles cozinhavam e bebiam de verdade em cena, misturando realidade e ficção para falar de memória e relações.

A Falta que nos move – filme – 2009/2012 – Filme criado a partir da peça homônima. Depois de quatro meses de ensaio, em uma única noite, por 13 horas seguidas e por 3 câmeras na mão, filmamos em um único plano contínuo. O filme foi construído a partir de alguns dispositivos; sem cortes, os atores foram dirigidos por mensagem de texto, beberam e comeram de verdade, seguiram roteiros mas não conheciam todos os roteiros uns dos outros, a filmagem teria pelo menos 10 horas seguidas, o filme era sobre atores fazendo um filme, eles se chamariam pelos próprios nomes, algumas histórias seriam reais outras ficcionais, ninguém poderia sair acontecesse o que acontecesse.

Corte Seco, 2010/12, foi criada a partir de matérias de jornal e processos judiciais, em uma pesquisa que incluiu entrevistas e idas ao fórum da cidade do Rio de Janeiro para compor uma peça mosaico, de ampla estrutura dramatúrgica, que era editada na presença do público. O entorno do teatro era cercado por câmeras de segurança e parte das cenas aconteciam do lado de fora do teatro e eram assistidas em monitores de TV pelo público.

Julia, 2011/12, mistura de teatro e cinema ao vivo, é um trabalho de atualização de um texto clássico, trazendo para cena questões sociais e políticas sobre o Brasil atual. O ator que interpreta Jean é negro e a relação entre os dois personagens centrais é pautada num jogo de poder que reflete a realidade do Brasil.